Educação infantil enfrenta déficit estrutural: só 17% das unidades têm itens básicos

Dados do Censo Escolar 2025 revelam que apenas 17% das creches e pré-escolas públicas do Brasil possuem todos os itens considerados básicos para funcionamento adequado, evidenciando falhas estruturais que impactam diretamente a qualidade da educação infantil.

Um levantamento do Censo Escolar 2025 apontou que apenas 17% das creches e pré-escolas públicas brasileiras dispõem de todos os itens essenciais para o funcionamento adequado. Os dados, divulgados nesta terça-feira (29), evidenciam um cenário de carência estrutural na educação infantil em todo o país.

A pesquisa considera 11 componentes básicos de infraestrutura, entre eles acesso à água e energia da rede pública, banheiros, rede de esgoto, cozinha, alimentação escolar, coleta de lixo, acessibilidade, internet e biblioteca ou sala de leitura. Esses critérios foram definidos com base em legislação recente que estabelece padrões mínimos para o funcionamento das unidades.

Entre os principais problemas identificados está a ausência de espaços de leitura: cerca de 64% das instituições não possuem biblioteca ou sala adequada. Além disso, 33% das unidades não contam com abastecimento de água da rede pública e 4% operam sem acesso ao sistema de esgoto, o que evidencia dificuldades também na área de saneamento básico.

Por outro lado, a alimentação escolar aparece como o único item universal, presente em todas as unidades de educação infantil.

Quando considerados outros elementos importantes para o desenvolvimento das crianças, como parque infantil, área verde, brinquedos pedagógicos e materiais artísticos, o cenário é ainda mais restrito. Apenas 12% das instituições conseguem oferecer todos esses recursos, enquanto menos da metade dispõe de parques (45%) ou áreas verdes (36%).

O levantamento também aponta desafios no acesso à educação infantil. Em cerca de 16% dos municípios brasileiros, pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos ainda está fora da creche ou pré-escola, o que reforça desigualdades no atendimento educacional nessa faixa etária.

Especialistas destacam que, além de ampliar vagas, é necessário garantir qualidade mínima nas estruturas oferecidas, já que a precariedade impacta diretamente o desenvolvimento das crianças e a efetividade do processo educacional.

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