Suspensão da vacina da dengue do Butantan gera dúvidas entre população

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após a identificação de 42 casos de reações graves, incluindo dois óbitos que seguem sob investigação. A medida é preventiva e ocorre após mais de 500 mil doses terem sido aplicadas no país desde janeiro deste ano.

A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, anunciada pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (8), levantou dúvidas entre pessoas que já receberam o imunizante e aquelas que aguardavam a vacinação. A medida foi adotada após o sistema de farmacovigilância identificar 42 casos de reações severas e três ocorrências consideradas graves, incluindo dois óbitos que ainda estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias. Até o momento, não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 501 mil doses da vacina Butantan-DV foram aplicadas no Brasil entre janeiro e maio de 2026. A maior parte delas foi destinada a profissionais da atenção primária à saúde, considerados mais expostos ao risco de infecção pela dengue devido ao contato direto com a população.

Quem já tomou a vacina precisa se preocupar?

A orientação das autoridades é que pessoas vacinadas não entrem em pânico. O Ministério da Saúde reforça que a suspensão foi adotada por precaução para permitir uma investigação aprofundada dos casos registrados. Os eventos graves representam uma parcela muito pequena dos vacinados e, até o momento, não foi estabelecida relação de causa e efeito entre os episódios e o imunizante.

Mesmo assim, os serviços de saúde passaram a realizar monitoramento ativo, especialmente entre pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias. A recomendação é procurar atendimento médico caso surjam sintomas incomuns, como febre persistente, dor abdominal intensa, vômitos frequentes ou sinais de sangramento.

O que acontece agora?

Com a suspensão, estados e municípios devem interromper temporariamente a aplicação da Butantan-DV e manter as doses armazenadas adequadamente enquanto a investigação é conduzida. Ainda não há prazo definido para a conclusão das análises ou para uma eventual retomada da campanha.

A decisão não afeta outras vacinas contra a dengue disponíveis no país. O imunizante Qdenga, produzido pela farmacêutica japonesa Takeda, continua sendo aplicado normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, mais de oito milhões de doses da vacina já foram administradas no Brasil desde o início da campanha.

Vacina brasileira foi considerada um marco

A Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2025 e se tornou a primeira vacina contra a dengue desenvolvida integralmente por uma instituição brasileira. O imunizante é aplicado em dose única e foi autorizado para pessoas entre 12 e 59 anos. Nos estudos clínicos, apresentou eficácia de 74,7% contra a doença, 91,6% contra casos graves e 100% contra hospitalizações relacionadas à dengue.

Apesar da interrupção temporária, especialistas e autoridades sanitárias ressaltam que a investigação faz parte dos mecanismos de segurança adotados após a aprovação de vacinas e medicamentos. O objetivo é verificar se os eventos registrados possuem relação com o imunizante antes da continuidade da campanha nacional.

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