Um levantamento recente revela que 98% das empresas brasileiras enfrentam dificuldades para contratar profissionais de tecnologia. A escassez de mão de obra qualificada, aliada à falta de experiência e habilidades comportamentais, tem impactado diretamente o ritmo de contratações no setor.

O mercado de tecnologia no Brasil vive um paradoxo: enquanto a demanda por profissionais cresce, empresas enfrentam cada vez mais dificuldades para preencher vagas. Segundo pesquisa “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, desenvolvida pela Ford em parceria com o Datafolha, 98% das organizações relatam obstáculos na contratação de talentos na área.
O estudo ouviu 250 líderes de Recursos Humanos (RH) e Tecnologia da Informação (TI) de médias e grandes empresas em diversos setores, como serviços, educação, saúde, varejo e finanças. O resultado revela um cenário de escassez generalizada de profissionais qualificados, que já afeta diretamente a operação das empresas.
Entre os principais entraves, a falta de conhecimento técnico aparece em primeiro lugar, citada por 72% das empresas. Em seguida, surge a ausência de experiência prática, apontada por 54% dos entrevistados.
Essa combinação tem impacto direto no tempo de contratação. Apenas 14% das empresas conseguem preencher vagas em menos de um mês. A maioria leva entre um e dois meses, enquanto mais de um terço ultrapassa esse prazo, evidenciando a dificuldade em encontrar candidatos que atendam às exigências do mercado.
Além das competências técnicas, as chamadas “soft skills” também se tornaram um fator decisivo. O levantamento aponta que 37% das empresas já deixaram de contratar candidatos tecnicamente qualificados por falta de habilidades comportamentais, como inteligência emocional e pensamento crítico.
Outro filtro importante é o domínio de idiomas. Segundo a pesquisa, 78% das empresas desclassificam candidatos que não possuem fluência em inglês, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, que demandam interação com ferramentas, conteúdos e equipes internacionais.
As áreas mais afetadas pela escassez incluem funções altamente especializadas, como inteligência artificial, engenharia de software e segurança da informação, setores que lideram a transformação digital das empresas e concentram a maior demanda por profissionais qualificados.
O cenário também reflete uma tendência mais ampla do mercado de trabalho brasileiro. Levantamentos indicam que cerca de 68% das empresas pretendem contratar profissionais de tecnologia em 2026, o que intensifica a competição por talentos e agrava a escassez.
Além disso, a dificuldade de contratação não se restringe ao setor de tecnologia. Pesquisas mostram que o Brasil está acima da média global quando o assunto é escassez de talentos, indicando um problema estrutural relacionado à formação profissional e à adaptação às novas demandas do mercado.
Outro ponto destacado é a baixa diversidade no setor: 93% das empresas relatam dificuldade em encontrar candidatos de grupos sub-representados, o que evidencia desafios adicionais na inclusão e ampliação do acesso às carreiras tecnológicas.
Diante desse cenário, especialistas apontam a necessidade de investimentos em qualificação profissional, educação tecnológica e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A tendência é que a pressão por talentos continue nos próximos anos, impulsionada pelo avanço da digitalização e da inteligência artificial em diferentes setores da economia.









