A empresa sul-coreana Innospace informou que a queda do foguete HANBIT-Nano, lançando a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), foi provocada por um erro técnico durante a montagem do veículo. O incidente ocorreu no primeiro lançamento comercial orbital realizado no Brasil, em dezembro de 2025.

O foguete explodiu 50 segundos após decolar no dia 22 de dezembro do ano passado. De acordo com a investigação divulgada nesta terça-feira (17), a falha teve origem em um vazamento de gás no motor do primeiro estágio. O problema foi causado por uma vedação inadequada de componentes após a remontagem de uma peça ainda em território brasileiro.
A análise técnica apontou que houve compressão insuficiente dos elementos de vedação na câmara do motor, o que permitiu o escape de gases superaquecidos. Cerca de 33 segundos após a decolagem, o vazamento comprometeu o empuxo necessário para a subida do foguete, levando à perda de controle e à destruição do veículo ainda em voo.
O lançamento ocorreu às 22h13, durante a Operação Spaceward. O foguete, que possuía 21,8 metros de comprimento, 1,4 metros de diâmetro, e pesava 20 toneladas, transportava satélites para a órbita baixa da Terra (LEO), desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia. Apesar da explosão, não houve feridos, e os destroços caíram dentro da área de segurança da base.
A investigação foi conduzida pela própria empresa em parceria com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a Força Aérea Brasileira (FAB), o CLA e especialistas independentes. Para identificar a causa da falha, foram analisados dados de telemetria, registros operacionais, imagens de vídeo e cerca de 300 fragmentos do foguete recuperados no local.
Segundo a Innospace, o veículo operou normalmente nos primeiros segundos de voo, até que a falha estrutural causada pelo vazamento levou à ruptura de componentes e à desintegração do foguete.
Após a conclusão do relatório, a empresa anunciou que pretende reforçar os processos de montagem e controle de qualidade, além de implementar melhorias no projeto antes de realizar novas tentativas de lançamento. A expectativa é que uma nova missão seja realizada ainda em 2026, após validação das correções pelas autoridades competentes.
O caso marca um momento importante para o setor espacial brasileiro, que busca consolidar o uso comercial da base de Alcântara, considerada estratégica por sua localização próxima à linha do Equador.










