Um grupo de deputados estaduais protocolou na Assembleia Legislativa do Maranhão o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias envolvendo o vice-governador Felipe Camarão. O requerimento reúne 24 assinaturas — número suficiente para garantir a tramitação — e deve ser lido em plenário, etapa que pode dar início à criação da comissão.
A proposta tem como base relatórios de órgãos de controle que apontam movimentações financeiras consideradas atípicas. Entre os pontos levantados estão transações com valores elevados e operações fracionadas, além de transferências para um grande número de beneficiários, o que, segundo os parlamentares, exige investigação mais aprofundada.

A proposta deve ser lida em plenário nesta quarta-feira (25), etapa que formaliza o início do processo dentro da Casa. A partir daí, caberá à presidência da Assembleia analisar os critérios regimentais para eventual instalação da comissão.
O cerne do pedido de investigação fundamenta-se em um relatório técnico do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), elaborado com suporte de dados do Coaf. O documento revela um fluxo financeiro fora dos padrões convencionais, destacando-se a realização de transferências via Pix para 1.085 beneficiários distintos.
De acordo com a análise dos parlamentares, as operações apresentam um padrão de fragmentação — com repasses sucessivos e valores variados entre diversas contas —, estratégia que, na prática bancária, costuma ser utilizada para dificultar o rastreamento da origem e do destino final do dinheiro.
Um dos pontos mais sensíveis da denúncia é o suposto envolvimento de agentes públicos no esquema de repasses. O relatório menciona que policiais e outros servidores teriam sido identificados como beneficiários ou como elos em transações articuladas.Também há menções ao possível envolvimento de terceiros nas movimentações, incluindo agentes públicos, o que aumenta a gravidade das suspeitas e reforça o argumento para a abertura da CPI.
O caso ganhou repercussão após o vazamento de informações relacionadas a uma investigação sigilosa que tramita no âmbito judicial. O episódio intensificou a crise política no estado e ampliou a pressão por esclarecimentos.
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) acompanha o caso e aguarda esclarecimentos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) sobre o vazamento. O MP também informou ter solicitado formalmente a apuração do episódio, incluindo a identificação da origem da divulgação indevida. O procedimento tramita sob sigilo, o que exige análise técnica dos acessos ao sistema e das movimentações processuais.
Segundo o promotor Reginaldo Júnior Carvalho, a divulgação não autorizada pode comprometer investigações em andamento e resultar em responsabilizações. Ele afirmou que medidas legais já foram determinadas pela Procuradoria-Geral de Justiça.
Em resposta, o vice-governador criticou a iniciativa e classificou a articulação como motivada por interesses políticos, afirmando que não irá recuar diante das acusações.
A eventual instalação da CPI deve aprofundar o embate entre grupos políticos dentro da Assembleia e pode trazer novos desdobramentos para o cenário político maranhense, especialmente em um contexto de disputas eleitorais.









