Especialistas, pesquisadores e produtores rurais defenderam a agricultura regenerativa como um dos principais caminhos para o futuro do agronegócio brasileiro durante debates realizados na AgroBalsas 2026, no sul do Maranhão.

A sustentabilidade e o futuro da produção agrícola estiveram no centro dos debates durante o painel “Regenerando a Agricultura”, realizado na AgroBalsas 2026, no sul do Maranhão. O encontro reuniu especialistas, pesquisadores, produtores rurais e representantes do agronegócio, que defenderam a agricultura regenerativa como um dos principais caminhos para garantir produtividade, preservação ambiental e segurança alimentar no Brasil.
Entre os temas discutidos estiveram bioinsumos, recuperação de áreas degradadas, impactos das mudanças climáticas e novas tecnologias voltadas à produção sustentável. Segundo os participantes, práticas regenerativas têm ganhado espaço no agronegócio brasileiro diante da necessidade de produzir mais alimentos sem ampliar os impactos ambientais.
Um dos destaques do painel foi a participação virtual da pesquisadora da Embrapa, Mariângela Hungria, vencedora do chamado “Nobel da Agricultura”. Durante a palestra, ela afirmou que o Brasil possui potencial para recuperar cerca de 40 milhões de hectares de áreas degradadas por meio da agricultura regenerativa.
Segundo a especialista, práticas regenerativas e o uso de bioinsumos podem reduzir impactos ambientais, recuperar a fertilidade do solo e aumentar a produtividade agrícola de maneira sustentável. “É uma mudança histórica para o agro brasileiro”, afirmou a pesquisadora durante o evento.
O que é
A agricultura regenerativa é um modelo de produção baseado na recuperação da saúde do solo, preservação da biodiversidade e uso mais eficiente dos recursos naturais. Entre as práticas adotadas estão plantio direto, rotação de culturas, cobertura vegetal, uso reduzido de fertilizantes químicos e recuperação de áreas degradadas.
Especialistas afirmam que o modelo busca não apenas reduzir impactos ambientais, mas também regenerar ecossistemas agrícolas e aumentar a resiliência da produção diante das mudanças climáticas.
Além disso, práticas regenerativas podem melhorar retenção de água no solo, reduzir erosão e aumentar a captura de carbono, fatores considerados estratégicos para o futuro da agricultura mundial.
Futuro do agro
O debate ganhou destaque especial por ocorrer no Matopiba, região agrícola formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país. A região possui forte crescimento na produção de grãos, especialmente soja e milho.
Durante o painel, representantes do setor destacaram que o avanço da produção agrícola precisa estar associado a práticas sustentáveis e ao uso de tecnologia para garantir competitividade internacional ao agro brasileiro.
O chefe-geral da Embrapa, Marco Bonfim, mediador do debate, ressaltou a importância da integração entre ciência, inovação e sustentabilidade. Segundo ele, o futuro do agronegócio dependerá da capacidade do setor de conciliar produção e preservação ambiental.
Dados apresentados durante eventos do setor indicam que a agricultura regenerativa vem crescendo no Brasil nos últimos anos. Segundo a Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto, áreas que utilizam práticas regenerativas já ultrapassam 33 milhões de hectares no país.
AgroBalsas
A AgroBalsas é considerada uma das maiores feiras do agronegócio do Norte e Nordeste do país, reunindo produtores, empresas, pesquisadores e investidores ligados ao setor agrícola. O evento acontece anualmente em Balsas, no sul do Maranhão, região que se consolidou como importante polo agrícola brasileiro.
A edição de 2026 teve como tema “Raízes que Transformam”, reforçando debates sobre inovação, sustentabilidade e o futuro do agronegócio nacional.









